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	<title>Crepúsculo Eterno</title>
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	<description>contos, crônicas e textos diversos</description>
	<pubDate>Wed, 11 Jun 2008 19:00:47 +0000</pubDate>
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		<title>A Tempestade dos Exilados (parte 4 e epílogo)</title>
		<link>http://crepusculoeterno.wordpress.com/2008/06/11/a-tempestade-dos-exilados-parte-4-e-epilogo/</link>
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		<pubDate>Wed, 11 Jun 2008 18:58:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Narcizo</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Contos]]></category>

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		<description><![CDATA[Parte IV - Chuva de lágrimas. 
Avanço com passos rápidos e decididos em uma feroz investida. Posso sentir o chão ceder sob meus pés, deixando profundas pegadas no barro fresco. Durante a corrida ergo a espada sobre a cabeça, segurando-a firmemente com as duas mãos. Após o quinto passo, minha arma desenha um arco descendente [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><span class="postbody"><span style="font-size:12pt;"><strong>Parte IV - Chuva de lágrimas.</strong> </span></span></p>
<p><span class="postbody">Avanço com passos rápidos e decididos em uma feroz investida. Posso sentir o chão ceder sob meus pés, deixando profundas pegadas no barro fresco. Durante a corrida ergo a espada sobre a cabeça, segurando-a firmemente com as duas mãos. Após o quinto passo, minha arma desenha um arco descendente visando atingir meu inimigo no crânio desprotegido, aproveitando a sua aparente surpresa com a minha iniciativa no combate. </span></p>
<p><span class="postbody">Ele defende meu ataque com a sua espada de gelo, deixando claro que a resistência dela é tão grande ou até superior ao aço temperado nas mais quentes forjas. Nossas armas se cruzam sob a chuva pesada e por um breve momento ocorre um duelo de forças. Fico impressionado com a potência muscular dele, provavelmente fruto de algum pavoroso ritual profano. Nossos rostos se aproximam e ao fitar novamente sua enigmática face borrada, ouço novamente em minha mente a insidiosa frase:”&#8217;quero&#8230; voltar&#8230; para&#8230; casa&#8230;”. </span></p>
<p><span class="postbody">Valendo-se de sua força física superior, ele me empurra com o objetivo de afastar-se de mim. Consegue ser bem sucedido em seu intento e recuo dois desajeitados passos, mal tendo tempo de preparar a arma para me defender de seu ataque implacável. </span></p>
<p><span class="postbody">Consigo aparar o vigoroso golpe, mas sinto os dedos das minhas mãos ficarem dormentes devido ao frio sobrenatural gerado pela espada de meu inimigo. O poder congelante da arma, aliada à força e perícia de seu usuário, esfacela a lâmina da minha espada, transformando o símbolo e orgulho da minha linhagem, em dezenas de pequenas e patéticas lascas de metal. </span></p>
<p><span class="postbody">Aturdido pelo ataque anterior, não esboço qualquer reação quando ele, de forma veloz e precisa, provoca um profundo corte em minha coxa direita como a terrível lâmina gelada. Caio ajoelhado antes do último estilhaço da minha espada tocar o solo. Em vez da lancinante dor do ferimento causado pela arma branca, sinto a agonizante dormência do congelamento. </span></p>
<p><span class="postbody">O fim é previsível. Lembro-me de minha mãe e agradeço silenciosamente por ela já ter falecido. </span></p>
<p><span class="postbody">Começa o nosso derradeiro diálogo. Meu vitorioso oponente, que possui uma expressão tão fria quanto a neve eterna das mais altas montanhas, desta vez toma a iniciativa. </span></p>
<p><span class="postbody">- Você sabe qual é a sua sina? </span></p>
<p><span class="postbody">- Sim, eu sei. </span></p>
<p><span class="postbody">Ele prepara com extrema calma a espada de gelo, a fim de desferir com perfeição o golpe de misericórdia. Pela posição será um golpe na altura do coração. Certamente é uma ironia com o sobrenome. Ouço com atenção suas palavras finais: </span></p>
<p><span class="postbody">- Por você ser meu irmão de sangue vou mata-lo com a minha técnica mais refinada. Seu nome é calafrio do vento cortante. Orgulhe-se, pois muito poucos receberam esta honra. </span></p>
<p><span class="postbody">Ainda tento cumprir a promessa que fiz a ela. Lábios e língua se contorcem para emitir uma última frase. Mas nenhum som sai da minha boca. </span></p>
<p><span class="postbody">Tarde demais. </span></p>
<p><span class="postbody">************************************************************************ </span></p>
<p><span class="postbody">Está chovendo intensamente. </span></p>
<p><span class="postbody">Certa vez, quando ainda era uma criança, minha mãe contou que a chuva era formada pelas lágrimas daqueles que choram de dor e saudade pelos entes queridos que se foram e não podem voltar. </span></p>
<p><span class="postbody">Fracassei em minha missão e o preço por esta falha imperdoável é a impossibilidade de voltar para casa. Mas o meu algoz, à sua maneira, também está privado de obter a redenção do descanso tranqüilo oferecido pelo aconchego do lar. O sangue fraterno que corre em nossas veias, desde aquela tempestade, compartilha a terrível maldição do exílio eterno.</span></p>
<p><span class="postbody"><strong>Epílogo</strong></span></p>
<p><span class="postbody">E esta é a história contada pela estátua. </span></p>
<p><span class="postbody">Admito que parece inacreditável, mas se algum de vocês se perder na Floresta Aeternitatis em um dia de tempestade, certamente encontrará uma estranha clareira circular rodeada por muitas e vigilantes árvores. No interior da circunferência está a figura de um homem agachado com o joelho esquerdo apoiado no chão e as duas mãos sobrepostas no lado esquerdo do peito. Seu rosto cristalino revela uma expressão de grande pesar e sua boca tenta proferir uma última e incompleta palavra. </span></p>
<p><span class="postbody">Fique próximo a ela para conseguir ouvir a história que acabei de recontar, palavra por palavra. </span></p>
<p><span class="postbody">E você jamais a esquecerá.</span></p>
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			<media:title type="html">rnarcizo</media:title>
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	</item>
		<item>
		<title>A Tempestade dos Exilados (partes 2 e 3)</title>
		<link>http://crepusculoeterno.wordpress.com/2008/05/31/a-tempestade-dos-exilados-partes-2-e-3/</link>
		<comments>http://crepusculoeterno.wordpress.com/2008/05/31/a-tempestade-dos-exilados-partes-2-e-3/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 31 May 2008 21:35:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Narcizo</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Contos]]></category>

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		<description><![CDATA[ 
Parte II - O encontro no círculo.

O estrondo estremecedor de um trovão liberta minha mente do transe fazendo-me retornar a sombria floresta castigada pela tempestade. Minha percepção foi claramente alterada, pois ao me refazer da desorientação causada pelo súbito despertar, vejo que não estou mais naquela trilha. 
Meus olhos perscrutam rapidamente o local onde [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><strong><span class="postbody"><span style="font-size:12pt;"> </span></span></strong></p>
<p><strong><span class="postbody">Parte II - O encontro no círculo.<br />
</span></strong></p>
<p><span class="postbody">O estrondo estremecedor de um trovão liberta minha mente do transe fazendo-me retornar a sombria floresta castigada pela tempestade. Minha percepção foi claramente alterada, pois ao me refazer da desorientação causada pelo súbito despertar, vejo que não estou mais naquela trilha. </span></p>
<p><span class="postbody">Meus olhos perscrutam rapidamente o local onde estou e percebo que me encontro agora no centro de uma grande clareira que tem a forma de uma circunferência perfeita. Tenho a impressão de estar em uma arena, ou algo do gênero, devido ao perturbador círculo que deve ter cerca de nove metros de raio. As árvores espremem-se nos limites da circunferência, formando uma massa tão compacta quanto uma muralha, impedindo-me de vislumbrar quaisquer acessos que eu poderia ter utilizado para chegar neste lugar tão peculiar. Sob o contraste luminoso dos raios, elas parecem lançar olhares penetrantes em minha direção e parecem estar ali esperando algum acontecimento iminente. Os únicos sons audíveis são das gotas de chuva caindo sobre o solo encharcado sendo regularmente silenciados pelos brados dos trovões. </span></p>
<p><span class="postbody">Subitamente as árvores desviam seus olhares mortiços para uma posição à minha direita e simultaneamente sinto um intenso arrepio como se fosse provocado por um frio glacial. Não estou sozinho. </span></p>
<p><span class="postbody">Para minha surpresa, vejo, não muito distante de mim, um homem parado em pé trajando uma armadura de batalha tão branca quanto as nuvens que decoram o céu em um ensolarado dia de verão. A sua composição, pelo que meus experientes olhos dizem, não se assemelha a nenhuma liga metálica conhecida, mas sim a couro curtido e enrijecido na forma de grandes escamas reptilianas sobrepostas. Na bainha simples repousa placidamente uma arma com o tamanho e forma de uma espada longa cujo cabo possui um curioso aspecto vitrificado. </span></p>
<p><span class="postbody">Usando as duas mãos ele retira cuidadosamente o elmo branco de detalhadas feições draconianas. Olho para seu rosto e meu coração por um súbito momento se acelera não conseguindo disfarçar a crescente sensação de satisfação. Depois de dez longos anos de procura finalmente eu o encontrei! </span></p>
<p><span class="postbody">&#8230; </span></p>
<p><span class="postbody">Mas não pode ser ele! Deve se tratar de uma alucinação proveniente da minha mente esgotada, pois há algo terrivelmente errado em sua fisionomia. </span></p>
<p><strong><span class="postbody">Parte III - O prelúdio de uma tragédia. </span></strong></p>
<p><span class="postbody">A dúvida se desfaz completamente depois de um breve período de silêncio, quando ele finalmente fala comigo: </span></p>
<p><span class="postbody">- Estava esperando por você. </span></p>
<p><span class="postbody">Se não fosse pelo seu inconfundível tom de voz, calmo e suavemente rouco, jamais o reconheceria. Seu rosto revela um indecifrável enigma para mim. Os longos cabelos negros molhados pela chuva, caem despreocupadamente sobre a sua face, entretanto seria possível ver todos os seus detalhes faciais. Só que, inexplicavelmente, não consigo fixar suas feições em minha mente. Seu rosto, aos meus olhos, parece distorcido. O único traço marcante é a extrema lividez da sua pele, que chega a ponto de rivalizar com a cor da armadura. </span></p>
<p><span class="postbody">A sua presença emana uma aura maligna tão intensa que a sinto arrancar violentamente de meu espírito pedaços da minha determinação e vontade de viver. Hesito por um momento imperceptível, mas não recuo um passo sequer. Não me permito realizar tal ato, não depois de todos os sacrifícios que fiz com o único objetivo de encontra-lo. </span></p>
<p><span class="postbody">Retiro minha fiel espada, tesouro da família a gerações, da bainha decorada com ramos de oliveira prateados. A lâmina, forjada com extremo cuidado e dedicação por um dos mais hábeis ferreiros conhecidos, reflete o brilho eletrificado dos relâmpagos. </span></p>
<p><span class="postbody">Observo atentamente o meu adversário, que outrora foi meu melhor amigo. Mas tudo que vejo na minha frente é o reflexo da corrupção e do pecado. Seu coração puro foi envolvido e dilacerado pela tenebrosa e impiedosa garra do mal. Com pesar, constato que tudo que foi dito sobre ele nestes últimos anos é a cruel e dolorosa expressão da verdade. </span></p>
<p><span class="postbody">Eu espero que um dia ela possa me perdoar por não revelar a ele as suas últimas palavras, mas pela memória de todos que o amavam, só me resta agora uma única coisa a fazer. Preparo a espada para a luta e falo: </span></p>
<p><span class="postbody">- Desculpe-me pela demora. Trouxe para você a misericórdia da morte. </span></p>
<p><span class="postbody">Em um movimento extremamente rápido e habilidoso, meu oponente faz surgir em sua mão direita a espada de cabo vítreo que estava embainhada. A lâmina de sua espada longa, a exemplo da armadura, não é feita de aço ou de outro metal. O aspecto é o de um pedaço cristalino de gelo moldado de forma a se obter uma arma onde lâmina e empunhadura formem uma peça única. As desafortunadas gotas d¿água que tocam a arma são imediatamente transformadas em pequenos e frágeis cristais de gelo. Sua voz se faz presente novamente, pós o ribombar de um trovão: </span></p>
<p><span class="postbody">- Que ela fique com você. Jamais descansarei verdadeiramente enquanto não alcançar o meu objetivo. </span></p>
<p><span class="postbody">Ele faz uma breve pausa e prossegue: </span></p>
<p><span class="postbody">- Tudo o que eu quero é voltar para casa. </span></p>
<p><span class="postbody">Um relâmpago certeiro fulmina uma das árvores próximas, espalhando pedaços de madeira carbonizada dentro do círculo. O som ensurdecedor do trovão emudece meu grito carregado de frustração e tristeza. É o início de nossa trágica batalha. </span><br />
<!--[if !supportLineBreakNewLine]--><br />
<!--[endif]--></p>
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	</item>
		<item>
		<title>A Tempestade dos Exilados (prólogo e parte 1)</title>
		<link>http://crepusculoeterno.wordpress.com/2008/05/15/a-tempestade-dos-exilados-prologo-e-parte-1/</link>
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		<pubDate>Thu, 15 May 2008 20:29:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Narcizo</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Contos]]></category>

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		<description><![CDATA[ 
Prólogo
Boa noite a todos os freqüentadores deste agradável estabelecimento. Não tenho a intenção de perturbar a refeição de vossas senhorias, mas peço humildemente algumas peças de cobre para que eu possa pagar por um prato de sopa e um pedaço de pão, pois meu debilitado organismo necessita de alimento quente para suportar o frio [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><span style="font-size:12pt;"><strong><span class="postbody"> </span></strong></span></p>
<p><strong>Prólogo</strong></p>
<p><span class="postbody">Boa noite a todos os freqüentadores deste agradável estabelecimento. Não tenho a intenção de perturbar a refeição de vossas senhorias, mas peço humildemente algumas peças de cobre para que eu possa pagar por um prato de sopa e um pedaço de pão, pois meu debilitado organismo necessita de alimento quente para suportar o frio desta tempestuosa noite, que cobre com sua tenebrosa mortalha, os céus desta localidade. </span></p>
<p><span class="postbody">Como sou recém-chegado, é minha obrigação fazer as devidas apresentações. Meu nome é Lywellan, e sou um artista errante, vítima de uma malfadada viagem. Eu e meus companheiros estávamos cruzando a Floresta Aeternitatis quando fomos surpreendidos por uma terrível tempestade. Acabei perdido e desprovido da maioria de meus pertences. Depois de vários dias de penosa caminhada consegui sair da floresta e a muito custo chegar até aqui. </span></p>
<p><span class="postbody">Fico imensamente feliz com as generosas doações recebidas. Como agradecimento, vou contar-lhes uma história ocorrida durante a minha solitária jornada a esmo pela floresta castigada pela intensa chuva. É um relato que ouvi de uma estátua feita de puro gelo. Sei que parece algo fantasioso, mas garanto pela minha vida que é totalmente verídico. </span></p>
<p><span class="postbody">Reproduzo suas palavras com extrema fidelidade, pois elas foram eternamente afixadas em minha memória. </span></p>
<p><span class="postbody"><strong>Parte I - A caminhada através da floresta.</strong> </span></p>
<p><span style="font-size:12pt;"><br />
<span class="postbody"> </span></span></p>
<p>Está chovendo intensamente.</p>
<p><span class="postbody">As gotas estraçalham-se em rápida sucessão sobre a veste metálica que cobre meu corpo provocando estalos altos que assemelham-se aos gemidos de almas insepultas. Elas trazem recordações da minha tenra idade e da história que minha falecida mãe contava sobre a origem da chuva. </span></p>
<p><span class="postbody">Minhas botas afundam sobre o terreno lamacento e escorregadio enquanto os relâmpagos provocam rachaduras brilhantes no espesso céu cor de grafite. O vento uiva ao meu redor como um lobo faminto, ferindo meu corpo com um açoite invisível de vento gélido e afiado. As árvores duramente golpeadas pela tempestade revelam toscas formas humanóides retorcidas por uma terrível agonia. </span></p>
<p><span class="postbody">Mesmo caminhando a favor do vento e com o rosto cuidadosamente protegido, uma audaz gota de chuva atinge minha testa e desliza lenta e tortuosamente pela minha face marcada pelo tempo e pelo esforço empregado na longa jornada. Ela encontra seu fim ao repousar caprichosamente em meu lábio inferior.O seu sabor não é o previsível paladar salgado e sujo de suor e sim o inconfundível gosto rubro e ferroso de sangue. É um sinal que minha sina se cumprirá em  breve. Eu sei e tenho absoluta certeza que ele também sabe. </span></p>
<p><span class="postbody">Prossigo por uma estreita e sinuosa trilha, protegido da escuridão total apenas pela rápida iluminação gerada pelos constantes relâmpagos. A tempestade transforma-se em feroz resistência dificultando o meu avanço. Em meio a passos dolorosamente lentos minha consciência desprende-se do mundo exterior e começa a entoar baixinho uma única frase em tom de desesperada súplica: “quero&#8230; voltar&#8230; para&#8230; casa&#8230;”. A repetição lenta e hipnótica quase não me deixa notar que depois de algum tempo não é mais a minha voz que diz esta frase. </span></p>
<p><span class="postbody">É a dele. </span></p>
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	</item>
		<item>
		<title>Reencontro e Despedida</title>
		<link>http://crepusculoeterno.wordpress.com/2008/05/01/reencontro-e-despedida/</link>
		<comments>http://crepusculoeterno.wordpress.com/2008/05/01/reencontro-e-despedida/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 01 May 2008 11:01:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Narcizo</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Contos]]></category>

		<category><![CDATA[amor]]></category>

		<category><![CDATA[encontro]]></category>

		<category><![CDATA[saudade]]></category>

		<category><![CDATA[separação]]></category>

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		<description><![CDATA[Mal o galo cantara naquela manha de sábado quando Juvenal abriu o portãozinho de madeira e entrou cambaleante carregando duas pesadas malas. Assim que perceberam a chegada do pai, as crianças correram em feliz sonolência em direção ao moreno de tronco largo que anunciava presentes para todos.

Na porta estava Filomena, cujos incomuns olhos claros fitavam [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Mal o galo cantara naquela manha de sábado quando Juvenal abriu o portãozinho de madeira e entrou cambaleante carregando duas pesadas malas. Assim que perceberam a chegada do pai, as crianças correram em feliz sonolência em direção ao moreno de tronco largo que anunciava presentes para todos.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Na porta estava Filomena, cujos incomuns olhos claros fitavam apaixonadamente o marido. Buscava em sua memória: quantos meses se passaram desde o último serviço dele? Seis? Oito meses?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">A vida tinha melhorado muito desde que Juvenal conseguira um emprego na cidade. Não faltava mais comida, as crianças podiam andar com roupas inteiras e a aconchegante casinha da família tinha até alguns eletrodomésticos, como rádio, TV e geladeira.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">No entanto, a mulher confessava na igrejinha que sentia inveja dos vizinhos que passavam fome, mas que dormiam juntos todas as noites. Por outro lado, Filomena escutava palavras maldosas cortarem suas costas. Sabia de cor as principais fofocas: o marido fazia coisa que não prestava por isso tinha tanto dinheiro; Juvenal tinha arrumado outra mulher bem longe dali; ele estava morto ou entrevado e não voltaria mais para casa.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Devido a tudo isso, seus dias mais felizes eram na companhia de Juvenal. Mesmo assim, era também um momento de aflição, pois a qualquer momento seu amado poderia ir embora. Nenhuma visita durava o mesmo que outra: ele já ficou duas semanas em casa, mas também já fizera uma visita de poucas horas.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Filomena procurou afastar tais pensamentos. O que importava é que seu marido estava em casa. Correu até ele e o abraçou longamente.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Um dia feliz. Não havia outra forma de descrever aquele sábado ensolarado. Música, carinho, conversa, brincadeira. A apreensão de Filomena diminuía na mesma proporção que o sol. A tarde veio gostosa e Juvenal não fez menção alguma que partiria naquele dia.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Antes do jantar, Filomena tomou um banho caprichado e colocou seu melhor vestido. A sopa de ervilha, que Juvenal adorava, já estava pronta. Mas os pensamentos da mulher estavam em outro lugar. Depois de longo tempo teria uma noite de amor com seu esposo.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Imersa em pensamentos lascivos, a mulher foi colocando a mesa e ajeitando as crianças nas cadeiras. Apenas quando Juvenal veio lhe abraçar forte é que percebeu a mala pronta ao pé da porta.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Sabia a resposta, mas decidiu perguntar:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">— Você vai ficar?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">— Sabe que não posso. Preciso voltar ao trabalho para ganhar dinheiro pra nossa família. Amor não enche barriga, não garante estudo pros nossos filhos.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">— Dinheiro é essencial, mas não é o mais importante — retrucou a voz de Filomena.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Suas lágrimas eram mais eloqüentes. Não agüentava mais reencontros e despedidas. Suplicaram para que o marido ficasse.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Juvenal nada disse.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Deu um beijo na boca da mulher e afagou as crianças. Elas, embora pequenas, já estavam acostumadas com a situação e despediram-se alegremente do pai, que só voltaria daqui a indefinidos meses.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Pegou sua mala e foi embora, voltando para a cidade grande com o anoitecer acompanhando seus passos.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">A mulher olhou um olhar triste e perdido para porta e então voltou seus olhos para o único lugar vazio onde repousava o prato de seu marido. Depositou no mesmo uma concha de sopa de ervilha e acabou de servir as crianças ao som de um triste forró que tocava no rádio:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><em>A minha amada tá chorando de saudade</em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><em>Arrumei trabalho no setor de construção</em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><em>Ganho dinheiro, mas fico preso na cidade</em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><em>Esperando o dia de voltar pro meu Sertão</em></p>
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		<title>Oração de Despedida</title>
		<link>http://crepusculoeterno.wordpress.com/2008/04/14/oracao-de-despedida/</link>
		<comments>http://crepusculoeterno.wordpress.com/2008/04/14/oracao-de-despedida/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 14 Apr 2008 23:00:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Narcizo</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Contos]]></category>

		<category><![CDATA[amor]]></category>

		<category><![CDATA[trágico]]></category>

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		<description><![CDATA[Mais uma vez meu organismo espectral mescla-se à trágica noite. O bando de corvos famintos novamente se reúne ao redor do insidioso poço que esconde em suas profundezas abissais um terrível e silencioso segredo. 
Uma vez unido às trevas impenetráveis de uma noite sem lua, acaricio com cruel delicadeza o crânio de uma ave próxima [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-size:8pt;font-family:Verdana;">Mais uma vez meu organismo espectral mescla-se à trágica noite. O bando de corvos famintos novamente se reúne ao redor do insidioso poço que esconde em suas profundezas abissais um terrível e silencioso segredo. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-size:8pt;font-family:Verdana;">Uma vez unido às trevas impenetráveis de uma noite sem lua, acaricio com cruel delicadeza o crânio de uma ave próxima a mim. A sua única reação antes de ter sua força vital completamente drenada é abrir as asas e tentar pateticamente alçar vôo. Como conseqüência de seu derradeiro ato de sobrevivência, o pássaro de tonalidade similar ao carvão precipita-se já morto para dentro do poço. Por minutos incontáveis eu tento ouvir o ruído do cadáver chocando-se contra o fundo, porém a única resposta que recebo é um silêncio inquebrável e misterioso&#8230;</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-size:8pt;font-family:Verdana;">Meu corpo incorpóreo flui pelo ar em direção à cidade morta que abriga os ossos putrefatos que em um dia longínquo estavam recobertos por sangue, nervos e carne. E durante o caminho até a minha residência pondero uma vez mais a relação entre o mistério do poço e o fim amargo da minha outrora e bela cidade natal.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-size:8pt;font-family:Verdana;">A vasta plantação de trigo, calcinada, estéril e arruinada, é uma visão infinitamente mais bela e poética do que os incontáveis ossos grotescamente retorcidos pela terrível peste que vitimou tantas pessoas, inclusive a mim.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-size:8pt;font-family:Verdana;">Ao entrar novamente em meu lar e sepultura, revejo meu cadáver descarnado repousando no tálamo perfumado com a fragrância da morte e da putrefação. E repousando enroscado sobre minhas costelas deformadas, está um fino cordão de platina, ainda reluzente, que ostenta um pingente de ouro branco forjado na forma de dois corações sobrepostos. Meus dedos tocam de maneira inócua a bonita jóia e mais uma vez, torturado pela tristeza e pelo abandono, derramo uma lágrima morta e sombria.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-size:8pt;font-family:Verdana;">Caio ajoelhado à beira da cama e encontro aberta sobre o chão imundo, a carta que leio todas as noites como se fosse uma oração profana. Reúno a plenitude de minhas forças para entoar um lamúrio pavoroso das profundezas da minha alma corrompida e mais uma vez, sob o olhar rubro dos corvos que se amontoam na janela do quarto, reproduzo com lancinante dor, as derradeiras palavras da mulher que tanto amo.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-size:8pt;font-family:Verdana;"><em>&#8220;Perdão por abandoná-lo meu amor, mas não quero morrer aqui. Todos os sobreviventes<span> </span>já abandonaram o vilarejo e<span> </span>apenas os corvos, que aparecem no início de cada<span> </span>noite para comer os últimos grãos secos de trigo e entoar ao redor do poço uma canção medonha que dura quase a noite toda, ousam nos fazer companhia.</em></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><em><span style="font-size:8pt;font-family:Verdana;">A comida e a água estão acabando e estou muito fraca e febril. Não existe mais vestígio de esperança para este lugar amaldiçoado. Espero ansiosa pela chuva fértil e pelo vento refrescante enquanto a<span> </span>luz solar queima a minha pele. Choro lágrimas embrutecidas todos os dias tamanho é meu desespero. Não agüento mais tanto sofrimento!</span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><em><span style="font-size:8pt;font-family:Verdana;">Preciso ir embora deste local infernal e torturante. Não consigo entender o porquê de sermos castigados de forma tão impiedosa. O que fizemos de errado? Não é justo, não é justo&#8230;</span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><em><span style="font-size:8pt;font-family:Verdana;">Espero que você compreenda a minha decisão de partir sozinha, pois não vou conseguir carregá-lo até a cidade mais próxima. Não tenho condições de levá-lo comigo. Deixarei contigo o presente que me deu com tanto amor, porque não sou merecedora dele.</span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><em><span style="font-size:8pt;font-family:Verdana;">Queria ter a coragem de tirar a sua vida para que não sofresse mais, mas sou tão covarde que não consigo realizar tamanho ato de misericórdia.. Tudo o que me resta fazer é rezar para que a morte o leve embora o mais breve possível e que enfim você tenha o seu merecido descanso eterno.</span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><em><span style="font-size:8pt;font-family:Verdana;">Perdoe-me, meu grande amor, pelo que estou fazendo, pois eu sei que jamais vou me perdoar.</span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-size:8pt;font-family:Verdana;"><em>Adeus”</em></span></p>
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		<title>Os Heróis Esquecidos</title>
		<link>http://crepusculoeterno.wordpress.com/2008/03/28/os-herois-esquecidos/</link>
		<comments>http://crepusculoeterno.wordpress.com/2008/03/28/os-herois-esquecidos/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 28 Mar 2008 21:34:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Narcizo</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Contos]]></category>

		<category><![CDATA[fantasia]]></category>

		<category><![CDATA[herói]]></category>

		<category><![CDATA[trágico]]></category>

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		<description><![CDATA[Era uma vez um jovem e simpático menestrel. Desprovido de nome e de pátria, vagava a ermo pelas vastas terras do glorioso reino, que ocupava todo o mundo conhecido. A luminescência criativa de seus belos olhos esverdeados não combinava com o restante de seu rosto feio e desalinhado. Entretanto o bardo não se importava com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p class="MsoBodyText"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;color:windowtext;">Era uma vez um jovem e simpático menestrel. Desprovido de nome e de pátria, vagava a ermo pelas vastas terras do glorioso reino, que ocupava todo o mundo conhecido. A luminescência criativa de seus belos olhos esverdeados não combinava com o restante de seu rosto feio e desalinhado. Entretanto o bardo não se importava com a sua aparência pessoal, pois a maior beleza que possuía não era possível de ser contemplada com os olhos. A despeito da sua mudez, o rapaz era um inigualável flautista e tocando seu rústico instrumento de madeira atingia, com facilidade, o coração e a mente das pessoas. Nos idosos, ele despertava tenras lembranças da juventude ao tocar músicas quase esquecidas atualmente. Com a mesma dedicação acalentava os corações amargurados dos desventurados com canções alegres e comoventes. Tocava canções de amor para os enamorados, baladas alegres para as festividades, melodias melancólicas para as ocasiões de despedida&#8230;</span></p>
<p class="MsoBodyText"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;color:windowtext;"><br />
O encanto de suas melodias ganhou rapidamente notoriedade por todo o reino, o que fomentou todo tipo de especulações e histórias. Havia alguns pontos em comum em todos os relatos, mesmo nos mais exagerados e mentirosos. Estas convergências despertavam tanto um fascínio quanto uma intrigante curiosidade sobre o anônimo menestrel. As histórias contavam que o bardo sempre chegava às localidades junto com os primeiros raios de sol voltando a pegar a estrada antes da noite apagar qualquer vestígio da luz solar. Por alguma razão insondável o bardo jamais dormia em uma cidade e nunca visitava a mesma localidade duas vezes. Também era intrigante o fato de ninguém ser capaz de lembrar qual foi a primeira cidade em que o menestrel se apresentou apesar dos governantes de diversos locais clamaram para seus domínios tal distinção. Paradoxalmente outro ponto de concordância entre as diversas narrativas era o fato das canções tocadas pelo bardo ficarem gravadas profundamente na mente, ou melhor, nos sentimentos das pessoas como se fosse uma lembrança eterna da apresentação do bardo. Quando dominada pela raiva, a pessoa se lembrava de uma música serena e contemplativa; no horror do desespero, a mente tocava uma música que restaurava a fé e a esperança; no momento do luto era possível ouvir uma melodia de alento.</span></p>
<p class="MsoBodyText"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;color:windowtext;"><br />
Independente das muitas teorias e hipóteses formuladas pelos habitantes do reino acerca destes fatos misteriosos, o bardo gozava de um prestígio cada vez mais crescente. Assim que era reconhecido, normalmente pelos guardas que vigiavam as entradas de uma cidade, os portões eram abertos e a população relegava temporariamente seus afazeres para recepcionar o flautista. Seu aspecto visual era desagradável, não só pelo rosto peculiar, mas também pela roupa suja e puída que vestia. De qualquer forma, o rapaz não despertava nojo ou repulsa, mas sim pena e compaixão dos habitantes. Em retribuição à hospitalidade recebida o flautista exibia um sorriso pueril e cariado e tocava com vibrante alegria uma canção de agradecimento.</span></p>
<p class="MsoBodyText"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;color:windowtext;"><br />
A incansável jornada do menestrel percorreu cada cidade, vilarejo e povoado do reino levando alegria e música a todos os corações. Histórias, não comprovadas, dizem que o bardo foi bem recebido até mesmo nas aldeias habitadas por monstros semi-humanos. Depois de muitos anos de caminhada restava apenas uma única cidade para o flautista visitar: a imponente capital do reino. Quando chegou aos ouvidos do povo que o bardo estava indo para a capital, uma comoção sem precedentes assolou o reino inteiro. Um número incontável de pessoas dos quatros cantos do mundo partiu em direção à cidade que abrigava o castelo do monarca. O próprio regente precisou mobilizar emergencialmente o exército real a fim de minimizar o caos provocado pelos súditos que superlotavam todos os lugares imagináveis da capital. Foi uma situação sem precedentes na história do reino. Parecia que toda a população do reino estava reunia no interior das muralhas de mármore que circundavam a gloriosa cidade esperando ansiosos e impacientes o maior de todos os acontecimentos.</p>
<p>A espera, apesar de longa e ansiosa, não foi em vão. Poucos dias depois da chegada das primeiras comitivas de visitantes, uma tempestade intensa e contínua abateu-se sobre a capital, perdurando por quatro semanas inteiras sem trégua. A noite do 23º dia consecutivo de tormenta foi marcada por uma noite sobrenaturalmente fria, com ventos poderosos espalhando uma chuva cortante e relâmpagos imponentes chicoteando o céu. A população, que mal conseguira dormir, já esperava por mais um dia cinzento e sombrio, mas quando o sol surgiu imponente no horizonte, revelou um céu completamente límpido e cristalino como se tempestade alguma o tivesse maculado. E banhado nos cálidos raios solares surgiu o bardo tocando, em sua flauta, uma doce e alegre canção.</span></p>
<p class="MsoBodyText"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;color:windowtext;"><br />
Na multidão que estava à sua espera operou-se uma grande transformação. A expressão de abatimento provocada pelas más acomodações na capital, pela tempestade contínua e pela ansiosa espera, foi substituída por um semblante que mesclava, ao mesmo tempo, alívio, êxtase e felicidade. Apesar das ordens do rei, os soldados e cavaleiros reais não precisaram organizar nenhum cordão de isolamento porque a própria população não se aproximava em<br />
demasia do menestrel temendo atrapalhar a sua exibição. Naquele dia o flautista parecia ainda mais inspirado, tocando e dançando rodeado por lágrimas de alegria, abraços de reconciliamento e beijos apaixonados. Seus olhos esverdeados estavam ainda mais vivos, mais brilhantes chegando a ponto de faiscar. O flautista não comeu, nem bebeu, tocando<br />
continuamente durante o dia inteiro até chegar o momento da derradeira canção.</span></p>
<p class="MsoBodyText"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;color:windowtext;"><br />
O bardo parou de tocar e olhou para o céu na direção do poente. Viu metade do sol já oculto sob a linha do horizonte. Neste momento, todas as pessoas que lotavam as ruas, telhados e aposentos da capital, perceberam que estava na hora do bardo se despedir. O rapaz, que não parecia ter envelhecido um ano sequer desde que começou a andar pelo reino, fez uma reverência humilde agradecendo à multidão e esta retribuiu com uma ensurdecedora chuva de aplausos que perdurou até o momento em que o bardo levou a flauta até a boca. O flautista entoou uma nota longa e triste enquanto o público observava em silêncio absoluto. Na medida em que ele continuava a tocar sua melancólica canção, caminhava em direção aos portões da cidade. A multidão, com os olhos rasos d&#8217;água, acompanhava imóvel seus passos. Estavam plantados fortemente no chão como se fossem árvores centenárias. Não esboçavam qualquer tipo reação, nem mesmo um singelo aceno de despedida para o bardo que lhes trouxe tanta alegria com a sua música.</span></p>
<p class="MsoBodyText"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;color:windowtext;"></p>
<p>A última nota da canção foi entoada no exato momento em que o jovem menestrel atravessou os portões da cidade. Ao terminar a música ficou parado por um tempo de costas para a cidade completamente silenciosa e quase engolfada pela escuridão noturna. Mas quando se preparava para continuar sua caminhada em direção a floresta, foi surpreendido pelo som de um timbre familiar:</span></p>
<p class="MsoBodyText"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;color:windowtext;"><br />
</span><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;">─ </span><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;color:windowtext;">Habermas! É você mesmo? Como sobreviveu à tragédia de Dumézil? - disse uma<br />
voz rouca e masculina.</span></p>
<p class="MsoBodyText"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;color:windowtext;"><br />
O bardo virou-se nos calcanhares com o rosto tomado pela surpresa. Avistou<br />
um homem muito idoso cujos olhos estavam vendados com um trapo imundo e que<br />
abria, com grande dificuldade, caminho por entre as pessoas imóveis como<br />
estátuas. O jovem largou a flauta e correu o mais que pode em direção ao<br />
velho e o abraçou com toda a força que tinha: </span></p>
<p class="MsoBodyText"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;color:windowtext;"><br />
</span><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;">─ </span><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;color:windowtext;">Althusser! Sou eu mesmo! Sou eu, Habermas! Você é o único que ainda se lembra<br />
de mim no reino inteiro. Eles se esqueceram de mim. Eu me sacrifiquei para<br />
salvá-los e eles se esqueceram de mim&#8230; fui esquecido&#8230; abandonado&#8230;.<br />
saquearam minha cidade natal&#8230;. mataram meus filhos&#8230; profanaram meu<br />
túmulo&#8230; ninguém veio ajudar&#8230; ninguém voltou para visitar meu sepulcro<br />
depois disso &#8230; - falou o jovem, antes de suas palavras serem afogadas<br />
pelas lágrimas grossas de um pranto magoado.</span></p>
<p class="MsoBodyText"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;color:windowtext;"><br />
<!--[if !supportLineBreakNewLine]--><br />
<!--[endif]--></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;">─ Eu compreendo a sua dor meu amigo. Na terrível batalha em que você pereceu fui<br />
privado da minha visão e nem mesmo os feitiços mais poderosos dos antigos<br />
arquimagos e dos mais sábios sacerdotes puderam restaurá-la. A lembrança dos meus dias de glória foi sendo gradativamente apagada das memórias do povo, até que eu me tornasse um velho inválido, digno da pena e caridade alheia – disse serenamente o homem.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;"><br />
O velho cego sustentou o quanto pôde o tenro abraço que confortava seu amigo bardo, mas na mesma velocidade que os derradeiros raios solares eram vencidos pela invencível treva noturna, o corpo do rapaz desfazia-se em uma substância espectral. Althusser soltou um pigarro seco a fim de limpar a garganta e sentenciou, com a voz cravejada de lembranças amarguradas:</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;">─ Nem todos os heróis são lembrados. Até mesmo os grandes heróis são esquecidos.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;">Uma lágrima incorpórea brotou dos olhos fantasmagóricos, ao ouvir as palavras de seu grande amigo. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;">Contemplou, pela última vez, a multidão catatônica que observava o diálogo com os olhos vazios e desapareceu para sempre nas profundezas da floresta do reino&#8230; </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/crepusculoeterno.wordpress.com/14/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/crepusculoeterno.wordpress.com/14/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/crepusculoeterno.wordpress.com/14/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/crepusculoeterno.wordpress.com/14/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/crepusculoeterno.wordpress.com/14/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/crepusculoeterno.wordpress.com/14/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/crepusculoeterno.wordpress.com/14/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/crepusculoeterno.wordpress.com/14/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/crepusculoeterno.wordpress.com/14/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/crepusculoeterno.wordpress.com/14/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/crepusculoeterno.wordpress.com/14/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/crepusculoeterno.wordpress.com/14/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=crepusculoeterno.wordpress.com&blog=2370525&post=14&subd=crepusculoeterno&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>Debate sobre a “inutilidade da educação” [parte 4]</title>
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		<pubDate>Sat, 23 Feb 2008 22:50:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Narcizo</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Educação]]></category>

		<category><![CDATA[Opinião]]></category>

		<category><![CDATA[debate]]></category>

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		<description><![CDATA[Cordiais saudações Marconi,
Conforme prometido, eis a minha réplica:
Sem dúvida, o debate está muito legal e bastante produtivo e educativo. Também aprendi coisas novas conversando com você e é isso o que eu acho mais fascinante na educação. Uma pena que o item “6” acabou não saindo na área de comentários, mas eu o colocarei no [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p class="MsoNormal">Cordiais saudações Marconi,</p>
<p class="MsoNormal">Conforme prometido, eis a minha réplica:</p>
<p class="MsoNormal">Sem dúvida, o debate está muito legal e bastante produtivo e educativo. Também aprendi coisas novas conversando com você e é isso o que eu acho mais fascinante na educação. Uma pena que o item “6” acabou não saindo na área de comentários, mas eu o colocarei no blog (assim como o resto do debate) para que ele não se perca.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Sobre o(a) meu(minha) professor(a) inesquecível (até a graduação) a minha menção, entre vários deles, vai para a minha professora de Ciências da 7ª e 8ª, Regina. Ironicamente, o conteúdo programático das aulas dela estava repleto daqueles conhecimentos inúteis que o Tito Ryff se refere (como os platelmintos) e ela, à primeira vista, carregava aquele estereotipo de “professora chata e rabugenta”. Ademais, a metodologia de aula dela era no estilo bem tradicional: aulas expositivas apoiadas pelo uso do livro didático e exercícios (mas ela possuía uma didática muito boa, ensinando com clareza pontos que muitas vezes são “aprendidos” com decoreba). E as avaliações dela eram coroadas, no final do ano, com a famosa “prova de 100 perguntas”.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span></span>Era uma professora bastante rígida, mas a adorávamos e a respeitávamos muito. Isso decorre do comprometimento profissional dela (não faltava, não se atrasava e cumpria com rigor o conteúdo programático), mas também da postura que ela tinha diante dos alunos. Ressalva-se que ela não era uma docente que “dá ponto” por afinidade ou pedido de aluno e que ela não tinha o pudor de nos repreender com severidade quando necessário. Mas ela sempre conversava conosco (gostava de criticar a programação da televisão e dizer que controla com o rigor o que os filhos dela assistiam) e foi uma grande <b>motivadora</b>. O pensamento generalizado da minha turma de 8ª série era continuar o 2º grau (o termo “Ensino Médio” foi adotado alguns anos depois), se possível, em alguma escola estadual, principalmente por considerar que apenas os alunos de escolas particulares e de cursinhos fossem capazes de conseguir vagas nas melhores escolas federais. E a professora Regina nos incentivou muito para fazermos os concursos de admissão das principais escolas públicas de 2º grau. <span> </span>Fui o único aluno da minha turma a passar para o CEFET e talvez não tivesse nem tentado fazer prova para lá, se não fosse o incentivo da minha professora. <span> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Esta experiência como aluno é que me fez questionar sempre os discursos sobre métodos de ensino. Conheço vários profissionais da área de educação que condenam veemente o ensino tradicional, defendendo de forma ferrenha técnicas e metodologias adjetivadas como novas e que substituirão as antigas e ultrapassadas. Esta posição tem três problemas em fundamento: 1º) se você analisar as metodologias e teorias educacionais em perspectiva histórica, será confrontado com a seguinte pergunta: “quão velha é uma nova idéia educacional?”; 2º) Por mais que se tente extirpar o “velho método” ele ainda resistirá em maior ou menor grau nas práticas educativas, logo a substituição completa pode até ser almejada, mas na prática dificilmente conseguida; 3º) a qualidade de ensino não é dependente da metodologia educacional em si, mas sim de uma multiplicidade de fatores, incluindo a forma de como tal metodologia é usada.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Não é incomum encontrar professores com grau elevado de conhecimento e erudição, mas que não conseguem motivar e ensinar bem os conteúdos aos seus alunos. A carência desta “didática” pode ser decorrente da falta de uma formação adequada neste aspecto ou do desinteresse do docente em preparar uma aula adequada de acordo com as características de cada turma (seguindo aquela idéia “se aquela turma de 10 anos atrás aprendeu – leia-se tirou boas notas – então não preciso mudar nada nas minhas aulas. Se a turma está indo mal a culpa é do aluno que não quer estudar”). Note que também há um aspecto histórico-cultural aqui, pois ainda é muito corrente a idéia que uma boa didática é proveniente de um dom inato do professor, não de técnicas que podem – e devem – ser aprimoradas.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Sobre a questão ambiental (que foi a parte do meu comentário que ficou ausente), o seu pensamento é bastante alinhado com o meu ao perceber que há uma multiplicidade de ambientes que afetam os processos educacionais. No mais reitero que o debate aqui foi bastante produtivo e interessante.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Forte abraço.</p>
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		<title>Debate sobre a &#8220;inutilidade da educação&#8221; [parte 3]</title>
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		<pubDate>Sat, 23 Feb 2008 22:48:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Narcizo</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Contos]]></category>

		<category><![CDATA[Opinião]]></category>

		<category><![CDATA[debate]]></category>

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		<description><![CDATA[Marconi Ponte Pereira (18/02/2008)
1) Rodrigo,
Tô lendo o seu blog e o post ficou bonito. Agora peguei o espírito da coisa.
Li as suas novas argumentações e o debate tá muito legal. A numeração dos tópicos bem que ajudou! (concordando agora com você que podemos sempre ensinar alguma coisa a alguém&#8230; eheheheh).
Faltou o tópico 6, onde você [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><i><b>Marconi Ponte Pereira (18/02/2008)</b></i></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">1) Rodrigo,</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Tô lendo o seu blog e o post ficou bonito. Agora peguei o espírito da coisa.<br />
Li as suas novas argumentações e o debate tá muito legal. A numeração dos tópicos bem que ajudou! (concordando agora com você que podemos sempre ensinar alguma coisa a alguém&#8230; eheheheh).</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Faltou o tópico 6, onde você ia falar sobre ambiente. Uma pena. Deve ter algum bug no blog do Globo. Não é a primeira vez que vejo isso. Deve ter alguma combinação ou palavra-chave que filtra o negócio e acaba não botando o post no ar. Se possível, publique os seus novos posts no seu blog de forma completa. Ficarei de olho.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Mesmo não sabendo o que você falará sobre o ambiente e sobre o trecho nº 5, queria mostrar meus pontos de vista.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"> 2) Sobre o ponto 5 da sua argumentação: eu queria que você me dissesse, com sinceridade, dos seus tempos de escola, qual professor(a) que mais lhe chamou a atenção em todos os sentidos, sejam a forma de ensinar, o modo que ele(a) te fez ver o mundo, a matéria, etc. Queria que você lembrasse daquele professor que você fazia questão de não faltar à aula e me dissesse que características ele(a) tinha.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Quando falei sobre o aprendizado ser profundo e prazeroso de tal forma que não esqueçamos o que silepse significa, eu falei sob esse ponto de vista.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Tem aulas boas, mas burocráticas. E essas acabam por obrigar a decoreba, o terror de tirar nota suficiente pra passar, etc. Sob esse ponto de vista, concordo com você que metodologia e didática podem ser ensinadas a qq um. Infelizmente, nem sempre os professores aprendem isso. Já tive muita aula com phdeus que não tinha didática alguma. E aí? Quanto eu aprendi dessa matéria, de verdade? Fica difícil&#8230;</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">3) Quando falei sobre o ambiente, eu quis dizer sob todos os aspectos que envolvem a educação, sejam eles: aspectos sócio-econômicos locais e regionais, aspectos familiares, aspectos governamentais, etc.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Concordo absolutamente com os pontos 7 e 8. Estão irretocáveis. Portanto, a equação começa a ter novos fatores e a ganhar ares de probabilidade.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Gostei muito da sua argumentação aprendi muito! Espero que você publique no seu blog o texto completo, com seu entendimento sobre ambiente. Na realidade, é o ponto que mais me interessa.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Forte abraço,</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Marconi</p>
<img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/crepusculoeterno.wordpress.com/12/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/crepusculoeterno.wordpress.com/12/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/crepusculoeterno.wordpress.com/12/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/crepusculoeterno.wordpress.com/12/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/crepusculoeterno.wordpress.com/12/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/crepusculoeterno.wordpress.com/12/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/crepusculoeterno.wordpress.com/12/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/crepusculoeterno.wordpress.com/12/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/crepusculoeterno.wordpress.com/12/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/crepusculoeterno.wordpress.com/12/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/crepusculoeterno.wordpress.com/12/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/crepusculoeterno.wordpress.com/12/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=crepusculoeterno.wordpress.com&blog=2370525&post=12&subd=crepusculoeterno&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Debate sobre a &#8220;inutilidade da educação&#8221; [parte 2]</title>
		<link>http://crepusculoeterno.wordpress.com/2008/02/23/debate-sobre-a-inutilidade-da-educacao-parte-2/</link>
		<comments>http://crepusculoeterno.wordpress.com/2008/02/23/debate-sobre-a-inutilidade-da-educacao-parte-2/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 23 Feb 2008 22:42:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Narcizo</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Educação]]></category>

		<category><![CDATA[Opinião]]></category>

		<category><![CDATA[debate]]></category>

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		<description><![CDATA[Rodrigo Narcizo (18/02/2008)
1) Cordiais saudações, Marconi Ponte Pereira. Em primeiro lugar obrigado pela sugestão de numeração das partes da argumentação e também pelo excelente comentário que muito enriquece este debate.
Começo o meu comentário discordando de você quando afirma que não se considera um educador. Eu acredito – e sou defensor da idéia – que todos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><i><b>Rodrigo Narcizo (18/02/2008)</b></i></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">1) Cordiais saudações, Marconi Ponte Pereira. Em primeiro lugar obrigado pela sugestão de numeração das partes da argumentação e também pelo excelente comentário que muito enriquece este debate.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Começo o meu comentário discordando de você quando afirma que não se considera um educador. Eu acredito – e sou defensor da idéia – que todos nós somos educadores, uma vez que a educação ocorre em todos os espaços sociais. Obviamente, formação e experiência na área educacional fornecem uma série de subsídios teóricos e práticos para auxiliar a reflexão e a ação educativa, mas de forma alguma considero que a educação tenha que ser debatida somente por professores e pedagogos diplomados. Sua opinião vale tanto quanto a minha, a de Ryff, a de Cavalcanti ou de qualquer outra pessoa. Seu comentário é um exemplo de que qualquer pessoa disposta a pensar sobre o relevante tema da educação pode realizar uma contribuição significativa. Por levantar questões importantes, tomo a liberdade de tecer alguns comentários sobre a sua opinião.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">2) Você aponta, com propriedade, um dos paradoxos do método de ensino que utilizamos atualmente, o método simultâneo. É ponto pacífico que cada aluno tem seu próprio ritmo de aprendizagem e desenvolvimento, mas para maximizar o número de alunos atendidos pela escola estabelecemos critérios (como faixa etária e aproveitamento em avaliações) para agrupar estes indivíduos em um mesmo espaço escolar conhecido como turma. Reunir pessoas diferentes na mesma classe escolar e oferece-las a mesma aula não é um problema em si. O problema é quando desconsideramos as particularidades de cada aluno e passamos a achá-los todos iguais no sentido que eles devem aprender igualmente e que todos chegarão ao mesmo lugar ao mesmo tempo, atribuindo ao aluno somente a culpa por seu fracasso, atraso ou desinteresse. É necessário observar as diferenças e trabalhar de maneira individualizada as dificuldades e demandas de cada aluno, mas nem sempre há condições disso ser feito.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">3) Acerca da motivação, o aluno não deveria ser movido por notas ou conceitos, mas sim pela vontade de aprender. A metodologia de ensino e a didática influenciam o interesse do aluno, mas despertar a sua consciência é uma tarefa bastante árdua. O trabalho individualizado, conforme sugerido, pode ser uma forma de motivar o aluno, mas normalmente é impossível que um professor que tenha uma (ou mais) turma(s) de 30, 40 alunos consiga atender sozinho cada um de seus alunos. Há áreas na pedagogia, como a orientação educacional, que tem a função de atender os alunos em um escopo mais individualizado, mas não são todas as escolas que dispõe deste serviço e em vários lugares onde existe a orientação, ela - por diversos motivos - não consegue realizar um trabalho efetivo.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">4) Ainda sobre a motivação, um dos maiores desafios na educação escolar é encontrar formas de despertar o interesse do aluno e principalmente conscientizá-lo da importância da educação. O interesse é a força-motriz da aprendizagem. O próprio medo da reprovação pode ser – e é – um estímulo para que o aluno estude e tire notas boas (o que não significa, necessariamente, um aprendizado qualitativo), mas isso não é o desejável. O acesso do aluno às diversas áreas de conhecimentos na escola é importantíssimo para a aquisição de conhecimentos, o desenvolvimento e aprimoramento das inteligências e habilidades do educando. Mas este acesso não deve ser confinado à sala de aula: o uso de laboratórios e atividades extracurriculares são fatores que ajudam o aluno a aprender de maneira qualitativa, estimulando o seu interesse.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">5) Concordo com a crueldade do sistema que dificulta que o professor aprimore seus conhecimentos e a qualidade de seu trabalho. Mas discordo que o docente precise ter aptidões especiais para exercer bem sua função. Como todo profissional, uma boa formação (básica e continuada) tem a função de, não apenas, &#8220;ensinar como fazer&#8221;, mas também oferecer ferramentas e subsídios que compensem a carência de aptidões especiais para a função. Claro que certos talentos e habilidades auxiliam o professor em suas tarefas, mas didática e metodologia do ensino são teorias e técnicas <span> </span>que podem ser ensinadas a qualquer pessoa. O professor, neste aspecto, não é muito diferente dos profissionais de outras áreas: sem dedicação, por mais talentoso que seja, ele não desempenhará bem sua atividade profissional. <span> </span>Apesar de extremamente relevante, a formação docente, não é o único fator importante que afeta a qualidade da educação.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">6) Você realiza uma observação muito pertinente: a influência do ambiente na educação. Ou melhor, ambientes, pois o plural leva em consideração o espaço físico, social e cultural. Analisar estes ambientes e elaborar um projeto educacional adequado às necessidades da comunidade escolar (que envolve os membros da escola, da família e da comunidade) é essencial como forma de buscar a qualidade do ensino. Este projeto leva o nome de Projeto Político-Pedagógico (P.P.P.). Cada escola deve elaborar o seu de maneira democrática e participativa e a toda a comunidade escolar deve ter acesso ao P.P.P. e acompanhar o seu desenvolvimento e execução. Perceba que o P.P.P. é uma maneira de individualização das ações educativas que leva em consideração, entre outros fatores, os ambientes onde a instituição escolar está inserida (o que pode incluir, mas não se limita á utilização de algum tipo específico de tecnologia ou metodologia educacional), a despeito da escola estar submetida a um mesmo conjunto de regras e procedimentos gerais determinadas pelos gestores da rede de ensino e pela legislação educacional.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">7) Discordo que a educação (escolar, faço questão de ressalvar) de excelência seja o resultado de uma adição cuja parcelas recaem, em sua maioria, sobre os ombros dos professores, assim como na aparelhagem pedagógica da escola e no conteúdo a ser ensinado. A fragilidade deste pensamento é achar que a simples reunião destes elementos nos levará automaticamente a este resultado. Na Pedagogia, assim como nas demais ciências humanas, a relação de causa-efeito, por mais aparente que seja, não é uma verdade verificável a qualquer tempo. É preciso analisar as circunstâncias e os contextos e nos questionarmos sempre sobre o que norteia nossas idéias, hipóteses e teorias. Por exemplo, o que é considerada educação de excelência? Por mais estranho que pareça esta não é uma resposta consensual. Há pessoas que atestam a excelência de uma escola pelas altas notas que seus alunos obtêm. <span> </span>Com base neste conceito, ajustam-se as práticas de ensino para a garantia destes resultados.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"> <img src='http://s.wordpress.com/wp-includes/images/smilies/icon_cool.gif' alt='8)' class='wp-smiley' /> Mas também há educadores que consideram a educação mais do que conceitos e avaliações classificatórias. Mais importante do que ter um “aluno nota 10” é educar o aluno para que seu desenvolvimento não se limite ao aspecto cognitivo, abrangendo também o desenvolvimento emocional, social, político e crítico. <span> </span>Para que a educação de excelência se concretize nesta perspectiva, é preciso adotar série de procedimentos diferentes da concepção de “excelência verificada por nota”. <span> </span>Em todo caso, eu não consigo conceber “educação [escolar] de excelência” sem a participação efetiva da comunidade escolar de maneira integrada: professores, gestores, corpo pedagógico e administrativo, responsáveis e alunos. Confesso o meu incômodo, quando na ocorrência do fracasso escolar, ao observar cada membro da comunidade escolar culpando o outro pela reprovação de um aluno, sem que cada um deles seja capaz de perceber e refletir sobre a sua parcela responsabilidade neste processo.</p>
<p>9) Finalizando, de forma alguma você deve se culpar pela “impertinência”. Ao contrário, você mencionou algo que, às vezes, até mesmo os maiores doutores e especialistas na área da educação esquecem: que a educação é um ato recíproco. Quando se ensina você também aprende. E o aprendizado pode ocorrer em qualquer lugar, como neste espaço de comentários.</p>
<img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/crepusculoeterno.wordpress.com/11/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/crepusculoeterno.wordpress.com/11/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/crepusculoeterno.wordpress.com/11/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/crepusculoeterno.wordpress.com/11/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/crepusculoeterno.wordpress.com/11/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/crepusculoeterno.wordpress.com/11/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/crepusculoeterno.wordpress.com/11/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/crepusculoeterno.wordpress.com/11/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/crepusculoeterno.wordpress.com/11/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/crepusculoeterno.wordpress.com/11/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/crepusculoeterno.wordpress.com/11/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/crepusculoeterno.wordpress.com/11/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=crepusculoeterno.wordpress.com&blog=2370525&post=11&subd=crepusculoeterno&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Debate sobre a &#8220;inutilidade da educação&#8221; [parte 1]</title>
		<link>http://crepusculoeterno.wordpress.com/2008/02/23/debate-sobre-a-inutilidade-da-educacao-parte-1/</link>
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		<pubDate>Sat, 23 Feb 2008 22:38:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Narcizo</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Educação]]></category>

		<category><![CDATA[Opinião]]></category>

		<category><![CDATA[debate]]></category>

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		<description><![CDATA[Confesso a minha feliz surpresa em participar de um debate saudável e muito interessante com Marconi  Ponte Pereira sobre este tema tão fascinante que é a educação. Debate este que começou na área de comentários  do  blog  &#8220;Inteligência Empresarial&#8221; de Marcos Cavalcanti  (a ele também dedico os agradecimentos pelo espaço e pelo  post  que gerou  [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Confesso a minha feliz surpresa em participar de um debate saudável e muito interessante com Marconi  Ponte Pereira sobre este tema tão fascinante que é a educação. Debate este que começou na área de comentários  do  blog  <a href="http://oglobo.globo.com/blogs/inteligenciaempresarial/" target="_blank">&#8220;Inteligência Empresarial&#8221;</a> de Marcos Cavalcanti  (a ele também dedico os agradecimentos pelo espaço e pelo  <i>post  </i>que gerou  a discussão.</p>
<p>Conforme prometido estou <i>copiando e colando</i> o debate que ocorreu lá para o meu blog.</p>
<p><b><i> Marconi Ponte Pereira (16/02/2008)</i></b></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Caro Marcos: excelente coluna!</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Caro Rodrigo Narcizo: faço uma defesa prévia do Tito Ryff. Apesar de economista, ele trabalhou no Centro Universitário da Cidade como Pró-Reitor Acadêmico e também ministrava aulas lá. Eu resolvia os problemas do computador dele. <img src='http://s.wordpress.com/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':-)' class='wp-smiley' /> </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Ao artigo: assumo com franqueza absoluta: já ouvi falar de todas essas palavras mas não me arrisco a defini-las sem o Aurélio do lado. Os comentários do Rodrigo Narcizo são muito pertinentes. Sugiro que você, Rodrigo, ao fazer comentários longos como esse que não cabem normalmente num formulário, numere a argumentação. Confesso que, apesar de bem fundamentado, me perdi na coerência.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Estou numerando apenas para manter a coerência, não considerem como ordenação cronológica ou algo do gênero.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">1) Não sou educador, mas gostaria de colocar minha visão de aluno. Espero que não seja simplória. É necessário desde cedo ter uma cultura de ensino que personalize os alunos. Nós somos tratados como boiada. Quem gosta disso?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">2) Discute-se muito sobre &#8220;o que&#8221; e esquece-se do &#8220;como&#8221;. Se nossos professores fossem preparados para entender individualmente cada aluno e trabalhassem as múltiplas inteligências que possuímos, além de ministrarem as aulas com dinâmica, posso garantir com quase certeza que teríamos um nível de ensino educacional excelente.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">3) <span> </span>As pessoas aprendem do jeito que gostam, não do jeito que os professores querem ensinar. Se tivéssemos oportunidade de sermos expostos aos conceitos em várias de nossas inteligências, o resultado seria mais visível; visível no sentido de prazeroso e profundo. Quando se aprende assim, dificilmente o tempo apaga a experiência, dificilmente se esqueceria do significado de &#8220;silepse&#8221;. Tem gente que é bom em lógica, tem gente que é bom em linguística, matemática, raciocínio lógico estruturado; outras têm uma inteligência musical, uma visão espacial e uma capacidade de relação inter e intra-pessoal que podem ser determinantes na absorção do conhecimento.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">4) <span> </span>Os professores têm que ter aptidões especiais. Eles têm que gostar de dar aula. E, para isso, têm que ser preparados e estar motivados, inclusive no âmbito da remuneração. Estar motivado é ter motivo. O modelo empregado hoje é o do desdobramento da professor em diversas escolas porque ele não tem tempo nem dinheiro para se aprimorar no conhecimento. O modelo de hoje é, no mínimo, cruel.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Algumas características básicas para um professor seriam a simplicidade, criatividade, objetividade, ritmo, empatia, entusiasmo e humor, além do domínio da matéria. Se o professor não possui/usa essas características básicas, o aluno recebe o conhecimento e logo esquece.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">5) Eu não sou professor, mas pediria para os educadores que aqui se encontram que determinem exatamente quais dessas características são diretamente afetadas pelo ambiente que existe no ensino do Brasil. O ambiente é ALTAMENTE importante. Sem essa análise ambiental, não tem texto bonito que me convença. E, infelizmente por essas bandas, o povo se ilude com palavras bonitas e bem articuladas.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Se essas características são deficientes, há que se utilizar de métodos de ensino que ajudem o sujeito a dar aula. E aí, entram os recursos de aula: leitura, áudio-visual, demonstração, discussão em grupo, praticar fazendo, etc.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">6) Acho que a união de: professores bem preparados/motivados/pagos + recursos de aula de todos os gêneros + entendimento do público-alvo e de suas múltiplas inteligências + ambiente de ensino propício = EDUCAÇÃO DE EXCELÊNCIA.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Como leigo nessa praia, essa seria minha fórmula para construir excelência no ensino.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Abraços a todos e obrigado pela discussão altamente edificante.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Desculpem-me a impertinência, mas ainda no entendimento da equação, eu adicionaria mais uma coisa: conteúdo &#8220;adequado&#8221;.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Portanto: professores bem preparados/motivados/pagos + recursos de aula de todos os gêneros + entendimento do público-alvo e de suas múltiplas inteligências + ambiente de ensino propício + conteúdo adequado à realidade = EDUCAÇÃO DE EXCELÊNCIA.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Desculpem-me a impertinência, mas gostaria de deixar uma última contribuição na visão de aluno.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">As poucas vezes em que eu precisei ensinar alguma coisa a alguém, a percepção que tive foi que aprendi mais do que ensinei.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Se os professores estimulassem os próprios alunos a ajudarem-se mutuamente ensinando uns aous outros, podem ter certeza que os alunos evoluiriam nas matérias que são fracos e ficariam muito melhores nas que são bons.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Abraços a todos</p>
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