Postado por: Rodrigo Narcizo | Fevereiro 23, 2008

Debate sobre a “inutilidade da educação” [parte 1]

Confesso a minha feliz surpresa em participar de um debate saudável e muito interessante com Marconi  Ponte Pereira sobre este tema tão fascinante que é a educação. Debate este que começou na área de comentários  do  blog  “Inteligência Empresarial” de Marcos Cavalcanti  (a ele também dedico os agradecimentos pelo espaço e pelo  post  que gerou  a discussão.

Conforme prometido estou copiando e colando o debate que ocorreu lá para o meu blog.

 Marconi Ponte Pereira (16/02/2008)

Caro Marcos: excelente coluna!

Caro Rodrigo Narcizo: faço uma defesa prévia do Tito Ryff. Apesar de economista, ele trabalhou no Centro Universitário da Cidade como Pró-Reitor Acadêmico e também ministrava aulas lá. Eu resolvia os problemas do computador dele. :-)

Ao artigo: assumo com franqueza absoluta: já ouvi falar de todas essas palavras mas não me arrisco a defini-las sem o Aurélio do lado. Os comentários do Rodrigo Narcizo são muito pertinentes. Sugiro que você, Rodrigo, ao fazer comentários longos como esse que não cabem normalmente num formulário, numere a argumentação. Confesso que, apesar de bem fundamentado, me perdi na coerência.

Estou numerando apenas para manter a coerência, não considerem como ordenação cronológica ou algo do gênero.

1) Não sou educador, mas gostaria de colocar minha visão de aluno. Espero que não seja simplória. É necessário desde cedo ter uma cultura de ensino que personalize os alunos. Nós somos tratados como boiada. Quem gosta disso?

2) Discute-se muito sobre “o que” e esquece-se do “como”. Se nossos professores fossem preparados para entender individualmente cada aluno e trabalhassem as múltiplas inteligências que possuímos, além de ministrarem as aulas com dinâmica, posso garantir com quase certeza que teríamos um nível de ensino educacional excelente.

3)  As pessoas aprendem do jeito que gostam, não do jeito que os professores querem ensinar. Se tivéssemos oportunidade de sermos expostos aos conceitos em várias de nossas inteligências, o resultado seria mais visível; visível no sentido de prazeroso e profundo. Quando se aprende assim, dificilmente o tempo apaga a experiência, dificilmente se esqueceria do significado de “silepse”. Tem gente que é bom em lógica, tem gente que é bom em linguística, matemática, raciocínio lógico estruturado; outras têm uma inteligência musical, uma visão espacial e uma capacidade de relação inter e intra-pessoal que podem ser determinantes na absorção do conhecimento.

4)  Os professores têm que ter aptidões especiais. Eles têm que gostar de dar aula. E, para isso, têm que ser preparados e estar motivados, inclusive no âmbito da remuneração. Estar motivado é ter motivo. O modelo empregado hoje é o do desdobramento da professor em diversas escolas porque ele não tem tempo nem dinheiro para se aprimorar no conhecimento. O modelo de hoje é, no mínimo, cruel.

Algumas características básicas para um professor seriam a simplicidade, criatividade, objetividade, ritmo, empatia, entusiasmo e humor, além do domínio da matéria. Se o professor não possui/usa essas características básicas, o aluno recebe o conhecimento e logo esquece.

5) Eu não sou professor, mas pediria para os educadores que aqui se encontram que determinem exatamente quais dessas características são diretamente afetadas pelo ambiente que existe no ensino do Brasil. O ambiente é ALTAMENTE importante. Sem essa análise ambiental, não tem texto bonito que me convença. E, infelizmente por essas bandas, o povo se ilude com palavras bonitas e bem articuladas.

Se essas características são deficientes, há que se utilizar de métodos de ensino que ajudem o sujeito a dar aula. E aí, entram os recursos de aula: leitura, áudio-visual, demonstração, discussão em grupo, praticar fazendo, etc.

6) Acho que a união de: professores bem preparados/motivados/pagos + recursos de aula de todos os gêneros + entendimento do público-alvo e de suas múltiplas inteligências + ambiente de ensino propício = EDUCAÇÃO DE EXCELÊNCIA.

Como leigo nessa praia, essa seria minha fórmula para construir excelência no ensino.

Abraços a todos e obrigado pela discussão altamente edificante.

Desculpem-me a impertinência, mas ainda no entendimento da equação, eu adicionaria mais uma coisa: conteúdo “adequado”.

Portanto: professores bem preparados/motivados/pagos + recursos de aula de todos os gêneros + entendimento do público-alvo e de suas múltiplas inteligências + ambiente de ensino propício + conteúdo adequado à realidade = EDUCAÇÃO DE EXCELÊNCIA.

Desculpem-me a impertinência, mas gostaria de deixar uma última contribuição na visão de aluno.

As poucas vezes em que eu precisei ensinar alguma coisa a alguém, a percepção que tive foi que aprendi mais do que ensinei.

Se os professores estimulassem os próprios alunos a ajudarem-se mutuamente ensinando uns aous outros, podem ter certeza que os alunos evoluiriam nas matérias que são fracos e ficariam muito melhores nas que são bons.

Abraços a todos

Deixe uma reposta

Sua resposta:

Categorias