APRESENTAÇÃO
Cordiais saudações, prezado(a) leitor(a).
Antes de tudo, gostaria de agradecer imensamente a você por se interessar em ler este modesto “livro-blog” simples que contém todos meus humildes escritos desde que comecei a tentar escrever contos, em meados de 2003. O tempo foi passando, eventos foram ocorrendo e em 2007 me atrevi a escrever pela última vez um conto.
Não é a primeira vez que tento reunir os meus textos. Em 2004 reuni boa parte deles em uma tentativa de “netbook” gratuito e mais de uma vez publiquei alguns deles em blogs, mas a idéia de postar todos acabou não indo para frente. Desta vez é diferente, pois decidi postá-los todos de uma vez, o que resultou em um livro em forma de blog (se é que tal termo é apropriado).
No processo de construção do blog (na verdade, fiz uma reformulação em um já existente), lembrei um pouco da história por trás de cada história, das pessoas que conheci, que me aproximei e que também me afastei. Foram tempos inesquecíveis. Quando comecei a minha vida de “contista” era uma pessoa diferente da que sou hoje. Às vezes olho para um conto e quase não acredito que o escrevi. Confesso que fiquei surpreso com a quantidade de contos que criei, ainda mais levando em consideração que escrever, para mim, nada mais é do uma atividade recreativa. Acredito que o fator determinante para ter criado, até hoje, mais de quatro dezenas de histórias curtas é o apoio que recebi dentro dos fóruns de discussão na internet. Praticamente todos os contos deste blog já foram divulgados e comentados nestes locais (sobretudo na seção Contos & Poesias do fórum da SpellBrasil – o portal original, infelizmente acabou) e as críticas e elogios recebidos foram um estímulo muito importante para que eu continuasse a escrever, tentando melhorar a cada conto (mas nem sempre conseguindo).
Como já dito no início desta apresentação, este blog (finalmente) reúne todos os textos que eu já escrevi, incluindo trabalhos incompletos e textos integrantes de contos coletivos (prática comum nos fóruns de discussão, onde diversas pessoas escrevem uma mesma narrativa). Além dos trabalhos solitários estão presentes dois contos que escrevi em dupla e histórias solo de três outros contistas. Uma vez que não mantenho o registro cronológico dos contos que escrevo, decidi organizar os contos separando-os em nos grupos descritos abaixo de acordo com sua temática ou formato. Cada grupo de contos é uma categoria do blog.
Histórias dos Bardos de Aeternitatis – Jogo (e sou Mestre de) RPG desde 1994 e é inegável a influência do jogo nos meus contos. Aeternitatis (“Eternidade”) é o nome de mundo de fantasia heróica que tentei criar sozinho (e também é o nome da imensa floresta que cobre a maior parte dos continentes). O projeto de criação desta ambientação jamais passou de alguns rascunhos, mas as linhas gerais do mundo serviram de base para a criação de alguns contos, principalmente O ovo do dragão vermelho que fala sobre a Guerra Draconiana. As Missionárias da Destruição também fazem parte da cronologia deste mundo. Os demais contos desta parte descrevem algumas das minhas criações para histórias de RPG, como personagens (incluindo o próprio Lywellan Coldheart, que também aparece no primeiro conto que escrevi, “A tempestade dos exilados”) e lugares, como a cidadezinha descrita em “Oração de despedida” e o “Bosque do Enforcado”. Já os contos “A carta de Reswald Kirchheimer” e “O último dia de sol” (o relato presente neste conto é o anexo citado na carta de Reswald) foram criados originalmente para uma história de RPG que nunca cheguei a mestrar.
As Missionárias da Destruição – Morte, Discórdia, Ganância e Guerra. As terríveis missionárias que servem ao poderoso Celestial das Trevas e que tem como missão levar o caos e a destruição a todos os continentes do mundo de Aeternitatis. Esta é a idéia básica por trás dos contos sobre as missionárias. Eu cheguei a escrever pequenas histórias sobre duas destas personagens (veja o conto “Ganância & Morte”), mas nunca escrevi a respeito das demais. Mais tarde reformulei a história da Ganância, o que viria a se tornar o conto A jovem dos cabelos dourados. Mesmo assim, não tinha idéias de histórias para as demais missionárias. Atendendo a um pedido, três amigos contistas decidiram escrever sobre as demais personagens. Diego Sartorato (anarco-caos) escreveu sobre a Discórdia, Daniel Câmara (ICS_VORTEX) sobre a Morte e Emil Lima (Emil) sobre a Guerra. Sou eternamente grato aos três por escreverem sobre as missionárias da destruição. O nome das “missionárias da destruição” foram baseadas na música “Missionários e Missões” do grupo “Uns e Outros”.
Diálogos Noturnos – Esta parte reúne duas histórias em forma de diálogo que foram escritos durante a noite, através de programas de troca de mensagens instantâneas (ICQ e MSN). “Esfinge” foi escrito em parceria com Adriê Gobbo e é um conto bastante marcante pela descrição dos sentimentos dos personagens. Já “Momentos eternos” foi concebido para ser uma homenagem ao Dia dos Namorados e tive a honra de ser convidado pela Bruna Machado para escrever esta história ao seu lado.
Literatura Inocente – Ao contrário do que o nome possa sugerir, os contos reunidos nesta parte não carregam qualquer resquício de inocência. Ao contrário, são contos de temática pesada e sua leitura desaconselhável para menores de idade, pessoas sensíveis e impressionáveis. “Cadeia Alimentar” é um conto que beira à escatologia pura em várias partes. Isto também acontece, em menor grau em “Por que você fez xixi na cama?”, que é um conto baseado em um depoimento real. Palavras de baixo calão povoam Roleta Russa e cenas de violência explícita com retoques de crueldade marcam presença em todos esses contos. “Caminhando pela estrada da solidão”, foi incluído aqui devido ao seu conteúdo muito depressivo.
Narrativas Diversas – Aqui estão reunidos os contos que não se encaixam nas demais categorias. Dentre eles destaco o conto que intitula esta coletânea, “Crepúsculo eterno”. Não é o melhor conto que já escrevi, mas é um dos meus preferidos. Outro conto que merece ser citado é “O menino que mutilava passarinhos”. Apesar de gostar muito de escrever histórias tristes e repletas de sofrimento, existem dois contos que possuem final feliz: “A primeira estrela cadente” e “O vilarejo escondido”. Os últimos contos que escrevi (“O Primeiro Dia”, “Eu Te Amo” e “Reencontro e Despedida”) também estão aqui.
Fragmentos Coletivos – Eu também já participei de alguns poucos contos coletivos e por uma ironia do destino, nenhum deles, até agora, foi concluído. Mesmo sabendo que é praticamente impossível compreender a história do conto lendo apenas uma parte isolada, eu optei por colocar nesta coletânea apenas as partes que escrevi, pois meu objetivo é somente manter um registro das minhas participações neste tipo de construção textual. Uma curiosidade: o conto 90 minutos foi idéia minha e a parte que eu escrevi é justamente a que encerra a história. A idéia era escrever o conto de trás para frente, com cada contista escrevendo sobre 10 minutos da vida do protagonista.
Contos Inacabados – Esta parte é destinada aos contos que eu comecei a escrever, mas que diversos motivos jamais cheguei a terminar. Ganância & Morte, foi a minha primeira tentativa de escrever sobre as missionárias da destruição, enquanto ‘A Moeda de 10 Cruzados e “O Daguerrótipo” foram tentativas fracassadas de escrever contos de suspense e terror. “O Código de César” tem uma origem diferente: a idéia original não era fazer um conto, mas sim uma história de RPG que seria jogada através de um blog. Já “Era Uma Vez um Grupo de Três Aventureiros”, foi a minha primeira tentativa de escrever um conto cômico, a partir dos estereótipos mais comuns entre os jogadores de RPG. Outro conto cômico sobre RPG, “Reykjavik, o Kobold Que Queria Ser Mago” era uma história completa, mas perdi o texto original e só consegui resgatar uma parte na Internet.
A característica mais visível da minha maneira de escrever é o uso, muitas vezes em excesso, de adjetivos e advérbios. Gosto de utilizar em meus contos personagens atormentados ou que passaram por algum tipo de tragédia pessoal e sempre que posso, faço referência ao crepúsculo nos meus contos. Morte, sofrimento, separação, tristeza, violência, fantasia heróica e amor são, sem dúvida alguma, os elementos mais recorrentes em minhas histórias. Mas também há poucas histórias felizes e esperançosas. Quanto ao aspecto gramatical, procurei corrigir os eventuais erros que atentam contra a norma culta, mas optei por não pedir ajuda na hora de fazer a revisão final dos textos. Certamente haverá erros que deixei escapar, e espero que eles não venham prejudicar a leitura, porém nunca tive como preocupação primordial o uso correto das regras gramaticais, apesar de reconhecer a sua importância.
As temáticas, as personagens, a escolha das palavras. Cada história desta coletânea (um registro de tempos que não voltarão mais) possui um significado especial para mim e espero, com sinceridade, que pelo menos uma destas histórias seja do seu agrado.
Tenha uma boa leitura.
Um abraço,
Still Ill, do grupo inglês The Smiths, é uma das minhas músicas favoritas e é a música-tema perfeita para este livro-blog, devido ao clima desta canção ser semelhante a vários contos que estão aqui.